sexta-feira, janeiro 09, 2004

Felizmente Ó Luar

Descalço os sapatos, que de tão molhados e enroscados parecem sofrer de cirrose, e reencontro o conforto. A lareira, que quando cheguei já rejubilava, solta flamas saltitantes que, fixadas, me observam e rodeiam, para meu aconchego. Em Israel chove igualmente. Bombas que nenhuma lareira consegue secar. Pelo menos é o que diz o homem da caixinha ao fundo. Ele é que sabe! Perguntem a quem quiserem. Entretanto a porta bate. Os músculos, doridos e adormecidos, fazem grande esforço na direcção da gravidade e impedem de me levantar. Entras, e sem um beijo, nem um lamento, descalças-me as meias e descolas-me as calças e a camisa. Então sim, beijas-me. Imaginava-me, igualmente, a desconstruir as tuas vestes molhadas. Mesmo que o quisesse, os músculos tinham-me presos a um cadeirão, que só agora reparei estar aqui, e a lareira havia conspirado contra mim, enganando-me através de movimentos animados, fazendo com que os olhos, os incessantes conhecedores de tudo, entrassem agora, lentamente, no desconhecido. E, sem querer saber bem porquê, sentia-me bem.

Passeio de domingo... Há sexta

Hoje vim aqui só para ver se isto ainda existe. Há tanto tempo que não mexem neste blog que até pensava que ele já tinha ido ao ar... Lá com pó está ele. Mas ainda existe!
Vá lá...

A Felicidade do Momento Regresso

Faltava aquilo que faltava a toda a gente.
Faltava o amor que a gente sente.
Faltava esse grito.

Tudo voltou quando regressaste.
Mas agora, o amanhã, o depois de amanhã
E o dia que depois desse há-de vir,
Acabarão por reduzir tudo isto a pouco
Muito pouco.

Deixa-me assim aproveitar
Este momento de consciência,
Não vá ele desaparecer...
Só por eu fechar os olhos.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Roubar O Lugar Da Solidão Que Me Acompanha

Às vezes,
Por um momento,
A insegurança
Toma conta de nós

Aí, o tremor
Subsistui-nos a voz

E eu grito,
bem alto,
por dentro,
EU NÃO CONSIGO!!!

Mas,
de súbito,
Rio! Reabro os olhos

E tudo reaparece;
quando olho,
e vejo que...

Estás comigo.

Lado a Lado Com A Identidade

Danço um tango com a vida
Com o presente, o passado e o futuro
Tudo no mesmo instante.
O instante... Ou a eternidade!

Nasço já com 3 milhões de anos
E preguiçosamente,
Continuo a saber tanto como há três milhões de anos

E sou feliz? Felicidade é instante!
E instante não tem tempo.

Presente??? Ups! Já passou!
Fica memória e sonho
Vida, afinal!
Desde que se os não queira comparar
Ao que quer que seja

E exprimo tudo isto por palavras
Os pequenos nadas.
Utensílios nossos de combate à solidão

E assim faço a diferença
Num espaço que se chama Tempo
Em que 1000 coisas mudam Todos em poucos anos

Fazendo inveja ao espaço, Tempo em que apenas
3 ou 4 tufões tinham lugar
Para nos ferir ou alegrar

Na permanente ilusão de ser

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Pleonasmos Oximorógicos

Subi e subi e subi
Para cima.
E quando, finalmente, cheguei lá abaixo
Voltei para trás

terça-feira, dezembro 09, 2003

16 Linhas Sem Princípio Nem Fin...alidade

Vamos começar pelo início.
Primeiro veio o fim,
Assim parecia asfixiando-se-me a alma daquela maneira,
Ai aqueles cabelos…
Depois veio o motivo
Motivo para lutar
Não te ia deixar partir
Depois da luta vieste finalmente.
Depois veio a apatia da rotina,
Assim surgiu a loucura,
E mais tarde os cabelos brancos
Doces cabelos brancos,
O platónico nunca parecera tão atingível
Só então veio a percepção.
Tanto desperdício…
O horror! O horror!!!

Palavra!

Palavra que se mexe
Sentido puro que cresce.
Um movimento agreste
E já não sai nada que preste

Modulada pela inspiração
Fazem de ti o que não és
Para os outros imitação,
Para mim...És o que És

Pena de Pena

Esta é a pena que me comove.
A pena que se perde e acha em ti o sentido
O sentimento em forma de estrofe
A tristeza. A beleza. O que me faz perdido.

Estados de Espírito

Vontade que não flui...
Rio estanque do pensamento
Desagregação e arrependimento
Dispersão, raiva, aborrecimento.

Impaciência, Irritação,
Frustração e Decepção.

Não querer
Não apetecer
Não fazer...
Tudo parte do mesmo ser:

EU

quarta-feira, dezembro 03, 2003

O poder do conhecimento

E agora tudo se complica…
No momento em que tudo parecia fácil
Impenetrar foi complicar.
O que era, agora é pouco.
E querer mais é permanente insatisfação.
Gargalhadas de loucura, de tristeza. De incompreenção…
Chora-se o que não foi, o que nunca será.
Culpa-se a imaginação por ter querido mais
Culpa-se a iniciação por ter mostrado mais
E, em desespero, culpa-se a coisa por existir.

quarta-feira, novembro 26, 2003

Mentir Com Convicção

Este, que não sou eu, que é apenas parte de mim,
Um dia dedicar-se-á por completo à escrita.
Não sei se vai conseguir mas todos nós sonhamos e essa é, de facto, a melhor parte de nós.
Só espero que atinja esse sonho e espero também que quando deixar de o ser, existam mais sonhos que lhe permitam viver e não apenas existir.
Querer existir noutro sítio que não este, o da verdadeira mentira.
Estar certo que a escrita é garantia de para sempre continuar a sonhar.
Embora ela lhe traga mais dor que alegria, tudo nela o compraze.
Então tenta comprazê-la a ela.
Mas sente que fica sempre a um ou mais passos de distância...
Quanto mais escreve, melhor compreende que apenas se apanham flashes da parte fugidia que nela existe.
Pois ela será sempre livre, indomável e inatingível.
E ele nunca será nada do que ela é, senão a parte dela.

À Nossa Descrição

À descrição, gritei bem alto: “NÃO ME OUÇAM QUE EU SOU DISCRETO”!

E como isto era o normal, o frequente, o usual, o rotineiro, o habitual
Por aqui,
Todos continuaram, sem parar para escutar, ou pensar, o que quer que fosse.
Isto é para nós a discrição.

Anormal, Estranho, Invulgar, Incomum
Maior motivo de espanto
Seria não o fazer.

terça-feira, novembro 25, 2003

Não fomos mas (és)tivemos

- Mas vou mesmo!
Não sei se vai. Diz sempre o mesmo. Por agora lá vai. Mas volta…
Hoje o dia acabou. Não mais vai ser o mesmo. Mas um dia é apenas uma batalha, não é a guerra.
Isto faz rir, como se um velho como eu tivesse ainda guerras para ganhar. Seja como for, este dia já estava um pouco atrasado. E como o povo diz, não este mas o outro que não é daqui, ‘antes tarde do que nunca’.
O sol nasceu há pouco, veio espreitar os berros que Santã, minha querida e jovem mulher, projectou, carregou e deu à luz à velocidade da mesma, ainda há momentos.
Desde que nos casamos que é assim. Rasgos de loucura que surgem de repente, com certeza do mesmo sítio aonde os rasgos de toda a gente se contêm, e põem palavras e sons arrepiantes na mais doce das bocas, no mais lindo ser humano que até hoje conheci, ou não fosse o simples facto de ter casado comigo, e de comigo já viver já lá vão quase seis anos, prová-lo. Médico nenhum sabe do que se trata. Eu acho que sei. Despeja o pouco de mal em si para conservar o bem mais tempo. Mas na verdade não sei. Nem sempre parece ser assim. Ela, quando volta, também diz que não sabe.
Nos dias que correm a cama parece-me um lugar tão solitário como eu. Talvez daí esta solidariedade entre ela e eu. Fazemos companhia um ao outro, e a doença aos dois, ela com o bicho da madeira eu com o bicho da carne que todos os dias me leva mais um pouco do pulmão. Fumar nunca foi problema. Com 72 anos querem o quê? Que viva para sempre?
Filhos, nunca tive. Não que não quisesse mas o médico disse que era pouco provável. Até há data, já lá vão 72 anos desde que o dia o é para mim e continua tão improvável quanto antes. A Santã tem pena, embora nunca mo tenha dito. Mas quando este seu bebé substituto encontrar a noite sempre escura para sempre sei que vai desejar que o seu destino tivesse sido diferente. Depois, eu desapareço, o silêncio deixa de ser parcial e velho e passa a ser total e tão novo quanto estranho, a casa tornar-se-á a sua única companhia e os vizinhos continuarão os outros para ela. Não era assim antes. Só depois do aparecimento dos rasgos. Pode-se dizer que cá por casa só se sente o menor deles. Mas um velho como eu já só apanha metade do que se diz e faz, por isso não sei bem se é assim. Os rasgos, ela condu-los para a rua, ou melhor, estes conduzem-na a ela (que é nisto que eu acredito) e berra a raiva do mundo ao mundo. Com sons do mundo que ninguém percebe mas que toda a gente entende, acrescidos de alguns dos outros que todos percebem mas ninguém quer entender. É ódio, é raiva. É tristeza, a minha. O povo… tem-lhe medo. Culpam-me por ter trazido o diabo para a aldeia. Se ao menos a vissem quando está cá por casa.
Como não fala com ninguém sem ser comigo, ainda que só em momentos especiais, para o povo ela só tem duas faces a do mal e a da indiferença.

Ela vai, mas sempre volta. Antes voltava pouco depois. Hoje passam-se dias, semanas. Resta-me a cama…

Os anos foram passando. Não sei se chegou a voltar. Quero acreditar que sim. Há já algum tempo que a cama também parece ter deixado de ser minha companhia. Agora sinto um peso invulgar. Mas já não sinto dor. Sinto imprecisão e, ao mesmo tempo, não sinto nada. Vou esperar. Sei que há-de voltar.

A verdade é que nunca mais voltou. Nem eu, tal como me conhecia…

quarta-feira, novembro 19, 2003

Belas Asemioses

Expiro signicado-zero
E, no entanto, acenam, sorriem.
Uma porta fecha-se zangada.
Chateada com o barulho, incomodada.
Só ela percebeu que não passava de barulho!
Finco os dentes. Finjo. Não me atrapalho.
A ranhura abre, momentaneamente, a boca de espanto.
Atrapalhadamente, procuro, rapidamente, a chave que, facilmente, a alimente.
E entro...
Trocamos conversas de silêncios, inúmeros segredos.
Com olhares e perplexidade comunicamos.
Finjo. Aceno, sorrio e saio.
Entretanto… O barulho volta.

quarta-feira, novembro 12, 2003

Literatura? Desculpe?!...

Cinco vezes quatro, vinte
Cinco vezes cinco, vinte e cinco

Rapazote
12-11-03



Vai pessoal, digam todos que isto é literatura que, com uma comunidade grande atrás de mim, ninguém poderá negar que sou um "literaturador", e assim negar todo um passado!

P.S. Tributo a todos os pragmáticos do mundo.

‘E o senhor… O que deseja?’

As coisas em que a_gente acredita...

Instintos naturais de (des)conforto

Confortável. Num momento em que tudo existia para mim, a escuridão tornara-se um lugar acolhedor, um lar, um casulo que não pretendia deixar. Não conhecia história nem percepcionava formas, apenas ferviam impulsos que de tão rápidos que eram me transmitiam serenidade, conforto e calma. Por momentos percebi ser o mar certo para pescar. Não fora o frio que se instalou aos pouquinhos ali ao meu lado e nada disto me teria sido dado a perceber. Sem essa outra coisa, que em menos de segundos gelou tudo aquilo que me estava a ser proporcionado, tudo isto me teria passado despercebido, qual rosa em pântano sombrio. No meio do sonho, que não era, sentia um soluçar interminável, uma gota de água que se isolava e cujo volume aumentava e aumentava dentro de mim como se me chamasse, empurrasse e berrasse pela minha ajuda. Agora um desconforto apoderava-se de mim, o que fazia com que lentamente as coisas ganhassem forma e conteúdo e metafísica. Desconfortável. Lentamente abro os olhos só para ver por uns segundos; para explicar à mente como tudo está bem, como posso voltar aquele lugar que só existe quando neste tudo está bem - e estar bem... enfim, é o contrário de estar mal. Mas não estava. Os soluços vinham daqui. A gota de água tornara-se agora inundação. Choravas! Não como nos outros dias em que o fazias. Gemias, soluçavas, bradavas por dentro... Sem saberes muito bem, chamavas por mim. Isto embora soubéssemos os dois como todos os motivos e formas de ultrapassar a dor me eram superiores, ainda mais agora, vindo eu daquele mundo sem forma, que por uns tempos me deu uns poderes e me tirou outros. Acompanhei-te na tua dor. Minha dor agora. Que me corroía e procurava por soluções rápidas, mas não bruscas. Segurei-te e dei-te tudo aquilo que por momentos tive. E quente, e calma e sempre bela... adormeceste.

terça-feira, novembro 11, 2003

"We wish you a make my Christmas and a happy new year"

Que é essa coisa do espírito natalício? Perdão, espírito de consumo!!! Deve ser esse espírito fantástico que, não as ocasiões mas sim as superfícies comerciais, nos transmitem a todos.
Obrigado por existirem!
(bah!)

Simples

Hoje eu querer dizer tudo muito simples. Ontem e em mais outros ontem eu dizer tudo menos simples, tudo mais menos simples. Simples não ser?

sexta-feira, novembro 07, 2003

A Dúvida

A dúvida do sussurro
Está no própria sussurro.

Ela sussurrou-me
'Amo-te!'.

Não tivera sido
A dúvida...

E eu já me teria perdoado
De ter duvidado.