quinta-feira, julho 21, 2005

Viver, em 5 minutos

Em cinco minutos
Uma chuva seca roubou o lugar ao sol
Só para que ele pudesse lembrar como brilhou
Em cinco minutos
Os pássaros renasceram
As árvores floresceram
As terras reviveram...
E eu deixei-me afogar
Em tanta beleza

Apelo-te Que Me Apeles Apelo

Mas para onde foste tu apelo meu?

Inspiração divina que guiava os meus automatismos

Força corpórea que forçava os meus mecanismos

Coisa incerta que empurrava os meus tropeços de ânimo...

E que tornava razão, o banal

Aquele aparente natural

A Salvação

Bela,

Açúcar e sal de uma vida sem sabor
Dor segura e fria, revestida de suor frio
Cala esta coisa... Este desespero... Dor...
Impede os meus passos sonâmbulos para o vazio

O apelo do ocioso

Só hoje... Só hoje consegui vê-lo

Tão tarde descobri a génese da tristeza e da permanente insatisfação

Dias inteiros sem chamamento, sem motor de arranque, sem paixão

Sem apelo...

domingo, janeiro 23, 2005

Próxima e Infinitamente Distante

Eu amo alguém
Que foge
Da Saudade que corre
Dentro de mim

Um sentimento agudo de dor,
De querer,
De desejo,
De vazio.

Alguém fugidio.
Alguém como eu…

Ninguém

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Frio Racional do Amor

Passo ao lado desse rio
Afluente do teu olhar
E choro a água nesse frio,
Frio de rio. Frio de te amar

Alienado

Foi certo aquilo que disse,
Foi-o sim para mim.
Ainda que fosse apenas mito,
Ainda que não visse em si um fim,
Ainda que o não tenha dito…

Foi certo aquilo que disse

Espelho Quebrado, Escurecido

Completo, Complexo, estação final de nossas vidas
Esgotadas que estão as folhas que flutuam
Rasgos de saudade, receios, lágrimas perdidas
Das nossas vidas, nossas queridas vidas

Mais um sol, mais vozes, mais sonhos que nos inundam
Lavam a alma naquele vai e vem fugidio
Sem lamentos, porém, que remoam e doam
Às nossas vidas, nossas queridas vidas

Solta um grito, solta a palpitação. Rasgam o frio,
Memórias num sorriso fechado, de um corpo parado,
E uma mente electrizante nos sucessos de outrora. E rio
Das nossas vidas, nossas queridas vidas

Um quarto enfezado para nascer, apodrecer, morrer. O fado…
Uma neblina a quem revelo os meus segredos
Uma ponte para o vazio para onde nado
E dou fim à vida, às nossas queridas vidas

Movimento

Um movimento só,
Acompanhado de um maior desejo de se movimentar,
Sonha, imagina, quer
E chega a qualquer lugar

Um movimento só
Capaz de, recorrendo a si,
Estar aqui, estar aí, estar ali, estar acolá

Um movimento só,
Ainda que para sempre parado,
Faz o mundo existir
E dá-me paz para dormir

quinta-feira, agosto 26, 2004

Dá vida... E morte!

Recordo com endividada tristeza
A devida beleza que é a tua
E que me fez bem.

Abalaste os sentidos da vida;
Abalaste, abalaste
E não voltaste mais.

E recordo cada momento, cada dia,
Esta nova melancolia
Que não te afasta daqui.

E sofro o momento,
Do acordar ao cessar,
Daquele sentimento...

Dessa chave que não chega jamais,
Para calar a memória,
Tão presente, das dores imortais.

Tu Musa

Oh musa que rompes efusivamente na minha efusão
E ferves o meu tempero sem nos queimar,
És tu que me alimentas, até que a temperatura faça escoar
A seiva transbordante da nossa paixão

segunda-feira, agosto 09, 2004

A Complexa Divisão da Multiplicidade

Quadrado ser do meu quarto
Porque não és tu só meio -
Como sabes que deverias ser -
E assim, ao ser menos, serias mais

Portas fechadas… Janelas Trancadas

Abandonado de lar,
Não o sitio onde vivi
Mas o sítio que viveu em mim,

Esvaziado de ser
Passei a fronteira do querer
E rendi-me à auto-absolvição.

Inconscientemente consciente
Fiz simplicidade do impossível
E pereci na possibilidade
De Ser feliz… Só, na tentativa

segunda-feira, junho 21, 2004

A Desilusão da Percepção das Coisas

Cedo cedo às pressões do mundo e afasto-me das raízes.
Quando em quando lá (re)volto àquelas discussões constantes e sem ressentimentos,
Àqueles atritos originais e contudo tão banais,
Comprimidos difíceis de digerir mas que lá curam os meus males

Mas as origens só por si já não me chegam.
Para o outro chegavam. Sobravam...
Qualidade de vida era génese.

Hoje pseudo-genesético, fruto de amálgama que o tempo unificou
Não sou mais. A unidade que o passado iludia lá ficou.
O hoje... Desilusão...
Hoje não é nunca, senão no tempo da ilusão... Que já perdi.

sexta-feira, junho 11, 2004

Um repto simples. Uma resposta complicada.

Hoje,
Bimbo, Bazaroco, Tanso, Albino, Barrajolo,
Comprei uma bandeira
E pus a esperança à varanda

sexta-feira, junho 04, 2004

Fragmentos da Desfragmentação

Tu que só existes no lugar de mim a que ninguém chega diz-me: o que é que eu estou à espera de esperar de esperar de ti?

O Lamento do Hipócrita

És a minha coisa que dura
E mole e mole
Por muito tempo,
És a dureza que me atura
E eu amo
Sem lamento…

Beleza da Natureza

Em consideração pela tua pele
Brancas são as noites que não passam a pensar em ti

E o negro forte do céu é o dos teus cabelos
Que o desejo faz deslizar entre os meus dedos

A Razão Complicada Dos Simples

Não me custa a morte.
Custa-me deixar de viver.

Nacionalidade ao Cérebro

Li Portugal como se o tivesse escrito
Com muito amor e igual sentido crítico
Hoje, desanimado, insultado, desarmado de ser
Sou estrangeiro que já não quer saber

O Saber dos Sentidos

Amor, meu professor,
A tua luz é o sol que irradia o nosso conhecimento!

Alegria Fugidia

Um sorriso resplandecente surge do meio da bruma
O escuro fica mais escuro e assim mais belo
Por muito provável que a alegria venha e rapidamente suma
Aproveito o sol que a lua reflecte no nosso castelo

Sinais de Deus

O tempo trai-me. O meu inconsciente é seu aliado.
Rejeito todos os sinais. Rejeito ser renovadamente
Rejeito ser parte ou a soma das mesmas de qualquer fado
Só afirmo a rejeição, do corpo e da mente

Livro...

Livro publicado é hérnia de dor querida que se corta para dar ao mundo

Interior, Que Não Te Vejo

Eu, múltiplo, que o tempo diversifica e transforma,
Abro-te o meu interior para que possas nele ver o exterior
E te apercebas dessa primeira impossibilidade

quarta-feira, maio 05, 2004

A Escrita

Esta transforma os meus pensamentos
É ela a culpada de todos os meus males
Expõe pessoalmente os seus argumentos
Mas não chega a dizer nada destes momentos

Que fazem de mim um instrumento seu,
Tal como o amor me o faz costantemente
Fim ao sentimento e pensamento meu
Fim à vida. Fim ao céu.

Morto-vivo cedo à masturbação mental,
Ao processo descontextualizante
Que pouco tem de pessoal
E só me traz recompensa agonizante

terça-feira, abril 27, 2004

Sol Nascente, O Prisioneiro

Penetrado por uma
Criatividade que não pensa,
Choro estas palavras
Rio estes versos

quinta-feira, abril 08, 2004

Noite De Mar

Durante as noites em que as ondas batem mais compassadas, ao ritmo do sono que não chega, este som a natureza torna-se a minha única companhia.

Já este mar de encantos, nunca se queixa de não dormir. Isto julgo eu...

Pois é bem possível que este som seja apenas o seu constante lamento por não poder dormir. Não poder repousar.

Pudesse eu perceber a linguagem do mar e nada mais faria, amigo meu - que tiraste uns minutos do teu tempo para me ler, que contar-te tudo, de tudo o que ele me diz. Suas divagações, seus caprichos, suas dores, seus sentimentos...

Porque mar que fala sente concerteza, senão para que quereria ele falar?!

De dia o mar não canta do mesmo modo. É certo que de dia também o não ouvimos do mesmo modo, mas a noite tem sobre todas as coisas um efeito diferente, que se sente, não se explica. E quando se tenta explicar, mais parece que se afasta mais e mais o que se sente.

Cada palavra que tenta puxar só consegue empurrar mais e mais o sentimento. E mais é pouco para quem, como eu, já sentiu semelhante coisa.

Passa-se que a noite deste mundo foi coisa que o próprio mundo nos presenteou para descanso das nossas almas. E se o mar tem alma, que eu acredito que tem, sofre concerteza.

O descanso do corpo consegue-se a qualquer altura, mas esse não é o verdadeiro descanso. Se a alma não descansa o corpo, seu servo, dobra-se, contorce-se, amua... Azia natural de corpo com alma que não teve a paz que o corpo lhe merece.

Será concerteza sádico da minha parte conseguir tanto sossego com o suave som da tua agonia? Oh mar, que não dormes, acredita que este sadismo não é voluntário! É sim de alguém que te pensou e que se resignou perante a grandiosidade desse movimento que me torna tão inútil e incapaz de aliviar a dor do teu lamento.

Diria que podia ouvir essa melodia (ou agonia, que me custa tanto pensar que o é) durante toda a noite.

Mas, mais tarde ou mais cedo, sei que este prazer me vai levar ao sono. E então perceberei que o prazer não vinha desse som de surdina e falador, mas antes do facto desse som me levar cada vez mais perto do sono.

Do reencontro da minha alma com o sonho suave que só a noite embalada pelas ondas trás.

quarta-feira, março 31, 2004

Antecipação, Repleta De Emptidão

Correm-me pensamentos pelas veias,
Pensado é o meu corpo todo.
Os outros textos, as minhas teias
E eu imóvel na mobilidade de tudo.

Não sinto as palavras que escrevo.
Formato digital. O presente natural
Escorrega pelo inconsciente determinado,
Munido de intencionalidade parcial

O automático não se pertence a si,
Não tem ser donde partir.
E eu só pertenço ao automático
Menos ser que eu,

menos EU, menos EU

sábado, março 27, 2004

Musa Lusa

Vermelhaste a face de todos em redor
Bela, insinuada, descarada, sem pudor
Uns riam, outros sorriam, todos te viam
Musa lusa, brilho incandescente. Isso, riam…

domingo, março 21, 2004

Ditos Populares – Sujeitos Impopulares

Já lá dizia a velha das Viagens de A., que quando não se trabalha, trabalha alguma coisa em nós que nos cansa ainda mais.

Aqui digo eu, que quando o espírito não nos toca falece qualquer coisa em nós, a que comummente chamamos vontade.

Daí a nossa vida de cansaço. De permanente irritação. Que a ociosidade não compreende. Pois isto nada lhe diz.

terça-feira, março 16, 2004

Vida Na Bruma Será Vida?

'O ser de ter
é o querer ser
e não querer'




- NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOOOO!!!!!!

- NÃAÃÃÃÃÃÃAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

Gritava! Brandava! Corriam-lhe as últimas lágrimas duma vida seca. Abriam-se fendas que nada mais poderia fechar. Nada?Ninguém!

- Só quero o meu filho! O MEU FIIIIIIILHO!!!

E em segundos, num espaço sem tempo, a matéria diluiu-se em vazio. Em nada. E a esperança tornou-se o gigante que tudo poderia concretizar. Se quizesse?

- Eu abro mão de tudo meu Deus. Dá-me o meu filho? Salva-o? Eu dou tudo o que tenho. Eu ajudarei os outros. Mas O MEU FIIIILHO!!! DEUUUUUSSSS!!!

Em volta, as pessoas olhavam um homem estranho. Louco decerto. Possivelmente até, um homicida, não fosse ele ser estrangeiro na sua aparência. E nos tempos que correm, seria, muito naturalmente um terrorista. Aqueles polícias ali à volta, lá estariam por algum motivo! E aqueles gritos de horror... Arrependimento de certezinha absoluta!

Ah, mentes pequenas. Xenofobia atroz.

Entretanto as sirenes chegavam, o mundo todo buzinava. Em momentos, toda aquela rua era vermelha e azul. Todo o movimento se dava ao passo de compassos agudos. Sirenes, essas sim do horror? E contudo, a réstia, a esperança de salvação.

No chão o vermelho - fogo, tiro, queda - escurecia. Em seu lugar aparecia o negro.

A loucura espreitava o seu momento para aparecer em palco. Que excitação! O seu instinto dava-lhe certezas que nenhuma probabilidade àquele pai podia oferecer.

O vazio completo passou por aqueles momentos de espera. A batina branca? ou verde?!... que o diga a loucura, ela saberá seguramente!, trouxe a notícia esperada.


(?)


Na paz dos últimos dias, o suicídio chegou. Não como necessidade! Antes, como... naturalidade.

sexta-feira, março 05, 2004

Incontornável Lei da Não Presença

Que fique. Não...

Não fique!

Não sei...

Olha para mim...

Molha aqui a tua mão.

Vês...

É este o efeito da solidão

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Futuro Sempre Insuficiente

Dia nenhum é suficientemente grande para eu fazer aquilo que não me apetece fazer

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Sinónimos Quase Perfeitos

Junta-se uma letra,
Ainda que não letrada,
Numa outra, também ela só falada,
E cria-se a família Palavra

Os sons tornam-se vozes
Ganham corpo. Amalgama
Das suas várias partes
Especialmente cuidadas como poema

E então começa-se a escrever
Ou simplesmente a falar,
Para expressar sentimentos. Para comunicar…
Para que o que nunca será, venha a ser.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Para Quê?

Para quê tentar sentido,
Quando ele próprio anda perdido
Nas teias que ele próprio traça
Na procura de si mesmo?

Para quê fomentar o desejo,
Quando ele próprio nada quer,
Senão levar a pensar que o que vejo
É que causa a felicidade do ser?

Deixar-me estar aqui achado,
Permanecentemente no meio de tudo
E ao escrever, recusar ser mudo
Ao indecifrável movimento do mundo.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Verdade, Verdadinha! Ou eu não me chame...

X – Então, vamos lá descobrir a verdade?!
Y – Embora!
X – Mas só a absoluta!
Y – Claro! Senão não é a verdade!
X – Fotografaste-o?
Y – Sim, foi simples!
X – Olha lá para isto comigo, então.
Y – Está bem.
X – Então, mas isto não é a verdade!
Y – Não?!
X – Pois claro que não! Aqui não está o que veio antes, nem o que vem depois. E, para mais, só mostra uma das faces daquilo; e de uma só perspectiva, diga-se. Já para não ir mais longe e dizer que no processo da foto, ela primeiro estava ao contrário e só depois é que foi para o direito!
Y – Mas olha, o Z também gravou isto em VHS, queres ver?
X – Yeah, isso de certeza que resolve a questão!
Y – Vês, aqui está! O antes e o depois! Bem focado e tudo! E filmou-o todo à volta.
X – O quê?! Achas? Aqui só vejo um bocadinho do antes e do depois! E quando ele anda à volta deixa-se de ver o que está do outro lado!
Y – Ishhhh, pois é! Olha, vamos falar com o N. Dizem que os artistas são os melhores na procura da plenitude. E ele é um artista, oh diz lá a verdade?!
X – Eh… Oh, referes-te ao quadro do N. Eu também gosto do N mas temos que dizer a verdade, o objecto aqui é a cara dele!
Y – Eu não acho!
X – Pois também ele não devia ter achado, porque isso de achar é que o fez fazer isto! Alcançar a verdade equivale a olhar para ela sem filtros no meio, percebes? E já viste as cores? O que é que é aquilo?
Y – Devia ser de noite!
X – Oh, mas de noite ou de dia aquilo não é o mesmo?
Y – Pois… Devia ser… Mas olha lá, o que é que é aquilo para ti afinal?
X – Então… É aquilo não estás a ver?
Y – Estou mas...
X – Ah, já estou a ver. Olha aquilo é a,q,u,i,l,o. Está melhor?
Y – Ah, sim já estou a perceber! Então, mas se eu só ainda tivesse 6 meses e não conseguisse falar, aquilo não era o mesmo?
X – Era, era. Tu é que não!
Y – Hum. Eu nem devia dizer isto, mas… Sabes, no outro dia levei-o para casa e andei às voltas com ele. Abstraí-me de mim mesmo e mexi-lhe. Mexi-lhe mesmo! Olhei-o, cheirei o seu perfume, senti-lhe o gosto. Ouvi-o, percebes! Acho que consegui sê-lo!
X – É isso! Isso é que é a verdade! Já sabias afinal! Então diz lá como é que foi?
Y - Eh pá, não me lembro bem. E o que sei não consigo explicar…
X – Oh… Deixa para lá. Mesmo que te lembrasses, já foi no outro dia. E sabes bem que a memória não é. Parece! É como a fotografia de um quadro que caiu na lama e que, embora às vezes se suje mais que noutras, todos os dias está um bocadinho mais estragada. É a outra luz de nós. Pena só brilhar com força às vezes!
Y – Que chatice! Isto afinal não é assim tão fácil.
X – E temos sorte que aquilo está quieto, senão já estás a ver!
Y – Pois estou, estou! E já viste se aquilo pensasse?
X- Ah, ah, ah. O mais certo era estar agora a olhar aqui para nós, para saber, na verdade, o que estamos para aqui a fazer.
Y – Olha, verdadeiramente, mesmo que quisesse também não te sabia dizer.
X – Deixa lá isso. Vamos a mais um copo?
Y – Mais ainda? Heia!
X – Vá, desta vez pago eu.
Y – Vá. Vamos lá ter com N e com o Z, então.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Felizmente Ó Luar

Descalço os sapatos, que de tão molhados e enroscados parecem sofrer de cirrose, e reencontro o conforto. A lareira, que quando cheguei já rejubilava, solta flamas saltitantes que, fixadas, me observam e rodeiam, para meu aconchego. Em Israel chove igualmente. Bombas que nenhuma lareira consegue secar. Pelo menos é o que diz o homem da caixinha ao fundo. Ele é que sabe! Perguntem a quem quiserem. Entretanto a porta bate. Os músculos, doridos e adormecidos, fazem grande esforço na direcção da gravidade e impedem de me levantar. Entras, e sem um beijo, nem um lamento, descalças-me as meias e descolas-me as calças e a camisa. Então sim, beijas-me. Imaginava-me, igualmente, a desconstruir as tuas vestes molhadas. Mesmo que o quisesse, os músculos tinham-me presos a um cadeirão, que só agora reparei estar aqui, e a lareira havia conspirado contra mim, enganando-me através de movimentos animados, fazendo com que os olhos, os incessantes conhecedores de tudo, entrassem agora, lentamente, no desconhecido. E, sem querer saber bem porquê, sentia-me bem.

Passeio de domingo... Há sexta

Hoje vim aqui só para ver se isto ainda existe. Há tanto tempo que não mexem neste blog que até pensava que ele já tinha ido ao ar... Lá com pó está ele. Mas ainda existe!
Vá lá...

A Felicidade do Momento Regresso

Faltava aquilo que faltava a toda a gente.
Faltava o amor que a gente sente.
Faltava esse grito.

Tudo voltou quando regressaste.
Mas agora, o amanhã, o depois de amanhã
E o dia que depois desse há-de vir,
Acabarão por reduzir tudo isto a pouco
Muito pouco.

Deixa-me assim aproveitar
Este momento de consciência,
Não vá ele desaparecer...
Só por eu fechar os olhos.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Roubar O Lugar Da Solidão Que Me Acompanha

Às vezes,
Por um momento,
A insegurança
Toma conta de nós

Aí, o tremor
Subsistui-nos a voz

E eu grito,
bem alto,
por dentro,
EU NÃO CONSIGO!!!

Mas,
de súbito,
Rio! Reabro os olhos

E tudo reaparece;
quando olho,
e vejo que...

Estás comigo.

Lado a Lado Com A Identidade

Danço um tango com a vida
Com o presente, o passado e o futuro
Tudo no mesmo instante.
O instante... Ou a eternidade!

Nasço já com 3 milhões de anos
E preguiçosamente,
Continuo a saber tanto como há três milhões de anos

E sou feliz? Felicidade é instante!
E instante não tem tempo.

Presente??? Ups! Já passou!
Fica memória e sonho
Vida, afinal!
Desde que se os não queira comparar
Ao que quer que seja

E exprimo tudo isto por palavras
Os pequenos nadas.
Utensílios nossos de combate à solidão

E assim faço a diferença
Num espaço que se chama Tempo
Em que 1000 coisas mudam Todos em poucos anos

Fazendo inveja ao espaço, Tempo em que apenas
3 ou 4 tufões tinham lugar
Para nos ferir ou alegrar

Na permanente ilusão de ser

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Pleonasmos Oximorógicos

Subi e subi e subi
Para cima.
E quando, finalmente, cheguei lá abaixo
Voltei para trás

terça-feira, dezembro 09, 2003

16 Linhas Sem Princípio Nem Fin...alidade

Vamos começar pelo início.
Primeiro veio o fim,
Assim parecia asfixiando-se-me a alma daquela maneira,
Ai aqueles cabelos…
Depois veio o motivo
Motivo para lutar
Não te ia deixar partir
Depois da luta vieste finalmente.
Depois veio a apatia da rotina,
Assim surgiu a loucura,
E mais tarde os cabelos brancos
Doces cabelos brancos,
O platónico nunca parecera tão atingível
Só então veio a percepção.
Tanto desperdício…
O horror! O horror!!!

Palavra!

Palavra que se mexe
Sentido puro que cresce.
Um movimento agreste
E já não sai nada que preste

Modulada pela inspiração
Fazem de ti o que não és
Para os outros imitação,
Para mim...És o que És

Pena de Pena

Esta é a pena que me comove.
A pena que se perde e acha em ti o sentido
O sentimento em forma de estrofe
A tristeza. A beleza. O que me faz perdido.

Estados de Espírito

Vontade que não flui...
Rio estanque do pensamento
Desagregação e arrependimento
Dispersão, raiva, aborrecimento.

Impaciência, Irritação,
Frustração e Decepção.

Não querer
Não apetecer
Não fazer...
Tudo parte do mesmo ser:

EU

quarta-feira, dezembro 03, 2003

O poder do conhecimento

E agora tudo se complica…
No momento em que tudo parecia fácil
Impenetrar foi complicar.
O que era, agora é pouco.
E querer mais é permanente insatisfação.
Gargalhadas de loucura, de tristeza. De incompreenção…
Chora-se o que não foi, o que nunca será.
Culpa-se a imaginação por ter querido mais
Culpa-se a iniciação por ter mostrado mais
E, em desespero, culpa-se a coisa por existir.

quarta-feira, novembro 26, 2003

Mentir Com Convicção

Este, que não sou eu, que é apenas parte de mim,
Um dia dedicar-se-á por completo à escrita.
Não sei se vai conseguir mas todos nós sonhamos e essa é, de facto, a melhor parte de nós.
Só espero que atinja esse sonho e espero também que quando deixar de o ser, existam mais sonhos que lhe permitam viver e não apenas existir.
Querer existir noutro sítio que não este, o da verdadeira mentira.
Estar certo que a escrita é garantia de para sempre continuar a sonhar.
Embora ela lhe traga mais dor que alegria, tudo nela o compraze.
Então tenta comprazê-la a ela.
Mas sente que fica sempre a um ou mais passos de distância...
Quanto mais escreve, melhor compreende que apenas se apanham flashes da parte fugidia que nela existe.
Pois ela será sempre livre, indomável e inatingível.
E ele nunca será nada do que ela é, senão a parte dela.

À Nossa Descrição

À descrição, gritei bem alto: “NÃO ME OUÇAM QUE EU SOU DISCRETO”!

E como isto era o normal, o frequente, o usual, o rotineiro, o habitual
Por aqui,
Todos continuaram, sem parar para escutar, ou pensar, o que quer que fosse.
Isto é para nós a discrição.

Anormal, Estranho, Invulgar, Incomum
Maior motivo de espanto
Seria não o fazer.

terça-feira, novembro 25, 2003

Não fomos mas (és)tivemos

- Mas vou mesmo!
Não sei se vai. Diz sempre o mesmo. Por agora lá vai. Mas volta…
Hoje o dia acabou. Não mais vai ser o mesmo. Mas um dia é apenas uma batalha, não é a guerra.
Isto faz rir, como se um velho como eu tivesse ainda guerras para ganhar. Seja como for, este dia já estava um pouco atrasado. E como o povo diz, não este mas o outro que não é daqui, ‘antes tarde do que nunca’.
O sol nasceu há pouco, veio espreitar os berros que Santã, minha querida e jovem mulher, projectou, carregou e deu à luz à velocidade da mesma, ainda há momentos.
Desde que nos casamos que é assim. Rasgos de loucura que surgem de repente, com certeza do mesmo sítio aonde os rasgos de toda a gente se contêm, e põem palavras e sons arrepiantes na mais doce das bocas, no mais lindo ser humano que até hoje conheci, ou não fosse o simples facto de ter casado comigo, e de comigo já viver já lá vão quase seis anos, prová-lo. Médico nenhum sabe do que se trata. Eu acho que sei. Despeja o pouco de mal em si para conservar o bem mais tempo. Mas na verdade não sei. Nem sempre parece ser assim. Ela, quando volta, também diz que não sabe.
Nos dias que correm a cama parece-me um lugar tão solitário como eu. Talvez daí esta solidariedade entre ela e eu. Fazemos companhia um ao outro, e a doença aos dois, ela com o bicho da madeira eu com o bicho da carne que todos os dias me leva mais um pouco do pulmão. Fumar nunca foi problema. Com 72 anos querem o quê? Que viva para sempre?
Filhos, nunca tive. Não que não quisesse mas o médico disse que era pouco provável. Até há data, já lá vão 72 anos desde que o dia o é para mim e continua tão improvável quanto antes. A Santã tem pena, embora nunca mo tenha dito. Mas quando este seu bebé substituto encontrar a noite sempre escura para sempre sei que vai desejar que o seu destino tivesse sido diferente. Depois, eu desapareço, o silêncio deixa de ser parcial e velho e passa a ser total e tão novo quanto estranho, a casa tornar-se-á a sua única companhia e os vizinhos continuarão os outros para ela. Não era assim antes. Só depois do aparecimento dos rasgos. Pode-se dizer que cá por casa só se sente o menor deles. Mas um velho como eu já só apanha metade do que se diz e faz, por isso não sei bem se é assim. Os rasgos, ela condu-los para a rua, ou melhor, estes conduzem-na a ela (que é nisto que eu acredito) e berra a raiva do mundo ao mundo. Com sons do mundo que ninguém percebe mas que toda a gente entende, acrescidos de alguns dos outros que todos percebem mas ninguém quer entender. É ódio, é raiva. É tristeza, a minha. O povo… tem-lhe medo. Culpam-me por ter trazido o diabo para a aldeia. Se ao menos a vissem quando está cá por casa.
Como não fala com ninguém sem ser comigo, ainda que só em momentos especiais, para o povo ela só tem duas faces a do mal e a da indiferença.

Ela vai, mas sempre volta. Antes voltava pouco depois. Hoje passam-se dias, semanas. Resta-me a cama…

Os anos foram passando. Não sei se chegou a voltar. Quero acreditar que sim. Há já algum tempo que a cama também parece ter deixado de ser minha companhia. Agora sinto um peso invulgar. Mas já não sinto dor. Sinto imprecisão e, ao mesmo tempo, não sinto nada. Vou esperar. Sei que há-de voltar.

A verdade é que nunca mais voltou. Nem eu, tal como me conhecia…

quarta-feira, novembro 19, 2003

Belas Asemioses

Expiro signicado-zero
E, no entanto, acenam, sorriem.
Uma porta fecha-se zangada.
Chateada com o barulho, incomodada.
Só ela percebeu que não passava de barulho!
Finco os dentes. Finjo. Não me atrapalho.
A ranhura abre, momentaneamente, a boca de espanto.
Atrapalhadamente, procuro, rapidamente, a chave que, facilmente, a alimente.
E entro...
Trocamos conversas de silêncios, inúmeros segredos.
Com olhares e perplexidade comunicamos.
Finjo. Aceno, sorrio e saio.
Entretanto… O barulho volta.

quarta-feira, novembro 12, 2003

Literatura? Desculpe?!...

Cinco vezes quatro, vinte
Cinco vezes cinco, vinte e cinco

Rapazote
12-11-03



Vai pessoal, digam todos que isto é literatura que, com uma comunidade grande atrás de mim, ninguém poderá negar que sou um "literaturador", e assim negar todo um passado!

P.S. Tributo a todos os pragmáticos do mundo.

‘E o senhor… O que deseja?’

As coisas em que a_gente acredita...

Instintos naturais de (des)conforto

Confortável. Num momento em que tudo existia para mim, a escuridão tornara-se um lugar acolhedor, um lar, um casulo que não pretendia deixar. Não conhecia história nem percepcionava formas, apenas ferviam impulsos que de tão rápidos que eram me transmitiam serenidade, conforto e calma. Por momentos percebi ser o mar certo para pescar. Não fora o frio que se instalou aos pouquinhos ali ao meu lado e nada disto me teria sido dado a perceber. Sem essa outra coisa, que em menos de segundos gelou tudo aquilo que me estava a ser proporcionado, tudo isto me teria passado despercebido, qual rosa em pântano sombrio. No meio do sonho, que não era, sentia um soluçar interminável, uma gota de água que se isolava e cujo volume aumentava e aumentava dentro de mim como se me chamasse, empurrasse e berrasse pela minha ajuda. Agora um desconforto apoderava-se de mim, o que fazia com que lentamente as coisas ganhassem forma e conteúdo e metafísica. Desconfortável. Lentamente abro os olhos só para ver por uns segundos; para explicar à mente como tudo está bem, como posso voltar aquele lugar que só existe quando neste tudo está bem - e estar bem... enfim, é o contrário de estar mal. Mas não estava. Os soluços vinham daqui. A gota de água tornara-se agora inundação. Choravas! Não como nos outros dias em que o fazias. Gemias, soluçavas, bradavas por dentro... Sem saberes muito bem, chamavas por mim. Isto embora soubéssemos os dois como todos os motivos e formas de ultrapassar a dor me eram superiores, ainda mais agora, vindo eu daquele mundo sem forma, que por uns tempos me deu uns poderes e me tirou outros. Acompanhei-te na tua dor. Minha dor agora. Que me corroía e procurava por soluções rápidas, mas não bruscas. Segurei-te e dei-te tudo aquilo que por momentos tive. E quente, e calma e sempre bela... adormeceste.

terça-feira, novembro 11, 2003

"We wish you a make my Christmas and a happy new year"

Que é essa coisa do espírito natalício? Perdão, espírito de consumo!!! Deve ser esse espírito fantástico que, não as ocasiões mas sim as superfícies comerciais, nos transmitem a todos.
Obrigado por existirem!
(bah!)

Simples

Hoje eu querer dizer tudo muito simples. Ontem e em mais outros ontem eu dizer tudo menos simples, tudo mais menos simples. Simples não ser?

sexta-feira, novembro 07, 2003

A Dúvida

A dúvida do sussurro
Está no própria sussurro.

Ela sussurrou-me
'Amo-te!'.

Não tivera sido
A dúvida...

E eu já me teria perdoado
De ter duvidado.

quarta-feira, novembro 05, 2003

Incompletidão natural...

Era noite. Como todas as outras noites olhava para a mesma parede branca com um pequeno quadro ao meio, quadro esse de moldura tão pequena quanto torta. Mas apenas nestes momentos! Em que as lágrimas são maiores que os globos oculares e me impedem de ver a moldura como ela realmente é.
Como todas as outras noites o som era aterrador. Buscava dentro de mim a explicação. O que poderia eu saber? Com 18 anos sentia-me tão ignorante quanto há vários anos. De facto, desde que me lembro de me lembrar do que quer que seja.
Lá fora os berros eram os mesmos de sempre. Isolava-me no meu castelo... de papel, pois este não conseguia evitar o inimigo nem por terra nem por ar, sendo incapaz perante os estridentes gritos projectados directamente do sítio de onde eles não deviam vir, em direcção à minha cabeça.
Mais uma vez a minha mãe entrava neste estado de semi-loucura que cá por casa todos nós nos habituámos a tratar por ?neura?.
Como sempre esta discutia por motivo nenhum. Por pura insatisfação própria talvez. Seja como for, éramos nós quem sofríamos e ela quem desesperava por uma solução que esperava vir atrás de cada berro, de cada lamento, enfim... Que mais não eram que isso. Em suma: mimo, casamento infeliz, divórcio, pais falecidos e dois filhos para criar.
A cobaia dela hoje foi o Leonardo, meu único irmão, de 22 anos, semi-casado e semi-viúvo. Mas para ele aqueles gritos eram nada perante o facto de a noiva que com ele se preparava casar na semana que agora se segue ter sofrido um acidente de automóvel há dias e, agora, semi-jaz em coma no hospital de Leiria, que, tendo em conta o seu nível de atendimento, mais parece uma casa mortuária, ou semi-mortuária... e que espero não faça agora uso da malfama que a metonímiza.
Saí de casa. Não me interessa a hora.
A minha relação com a Drica, como todos lhe chamamos, nunca foi muito próxima. Se fosse acho que já a teria visitado. Custa-me também a dor física dos outros. Daí ainda não lá ter ido ainda. A dor psicológica parece-me banal. Depois de anos a suportá-la finalmente fui compreendendo que esta não desaparece, segue em nós em todos os momentos. Aprendi a conviver com ela e hoje somos quase parentes. Daí não me faça impressão a dor dos pais da Drica, nem sequer a dor do meu irmão. Sinto-me simplesmente um estrangeiro perante o choro. Não na língua, que a linguagem do choro ficou, juntamente com poucas outras coisas, para lá do desabamento da torre de Babel. Sinto-me assim na atitude, no desprezo pela dor que mais não parece que um ritual sem força para entrar na minha redoma de papel.
A culpa do acidente não foi do outro. Foi mesmo da mãe da Drica, uma vez que a Drica conduz mal e nisto sai, sem dúvida, à mãe. Segundo o que o 'outro' conta, ela apareceu vinda de lado nenhum e acertou-lhe de lado só o percebendo ele quando reparou que o carro estava já voltado, pronto para ir de volta para o sítio de onde nunca deveria ter vindo. Mais pormenores só quando ela voltar do pesasonho; remediável, esperemos nós.
Mesmo tendo já passado a casa da Maria das Cebolas, a voz da minha mãe continua perfeitamente audível. À minha volta as pessoas fingem ser mais surdas do que eu finjo ser. Mudas concerteza não serão quando a minha frente se metamorfosear na minhas costas, por artes mágicas que só quem tem pernas para andar, e vergonha para pensar, consegue compreender.
Trago na mão o manual de como domesticar o seu cão. Procurei o outro relativo às mães. Não encontrei. Contentei-me com este. Apesar de já muito dobrado ainda não o li. As imagens parecem-me aborrecidas. Imagino que as letras aí riscadas em séries capitalistas de maços de 16 páginas não sejam melhores. Nem quero saber. Às vezes quero. Não sei...
Tendo chegado ao hospital tudo era como previra. A mãe da Drica joga-se a mim a chorar, como que para compensar a falta que a cama lhe fez durante a noite, não fosse a vizinha dizer alguma coisa; e a falta de lenço, sabe-se lá porquê. Talvez a minha camisa lhe tenha parecido mais adequada.
Em silêncio olhei em volta. Tectos brancos, lençóis brancos... tudo embutido na pálida cara da semi-noiva, que pelo aspecto não dava bem a ver se as paredes e os lençóis chegaram antes dela, se depois, isto porque a mãe da Drica é daquelas que gosta de ver tudo a condizer.
Não fiz perguntas. Sei que não sabiam mais do que eu.
-Adeus.
Saí.
Fugira do barulho em casa. Mas este silêncio era bem pior. Este nunca fizera parte do meu mundo. Para mais, era um silêncio novo, desconhecido. Não doentio. Simplesmente desolado. Ao que eu não estava acostumado.
Não soubesse eu que o meu irmão estava a discutir – discutir, como quem diz... pois este só ouve, pouco fala - e ter-me-ia admirado de o não ter visto ali dando as mãos esperançadas à semi-noiva e repetido pela milésima vez à semi-sogra, como tudo isto era inacreditável, como poderia tudo isto ter acontecido logo agora e como o 'outro' deveria estar a esconder alguma coisa.
Testemunhas só mesmo a inconsciência de dois, pois mais ali não haviam, e estas não contam, muito menos se uma dessas inconsciências tiver reduzida a metade, ou a metade disso ainda, e se a outra, ou o 'outro' – que dessa não faz parte, for inocente, pelo menos até que as partes todas da Drica, que por natureza nunca foi bem inteira de si própria, se juntem de novo e mintam ou desmintam disto mesmo?

terça-feira, novembro 04, 2003

Existência? Aqui? Ali? Onde? Qual?

Eu sou uma personagem de papel.
Não a que vês mas a que lês.
Não sou pessoa. Só personagem.
Sou o que te faz rir, chorar, viver,
Aqui!
Porque eu não sou assim; nem assado,
Não sou nada. Sou tudo!
Tudo o que não vês,
Tudo o que não imaginas,
Sou o espontâneo, o natural, a matéria,
O que, simplesmente, não existe.
A palavra tudo diz (mas nada é).
Sem ela o tempo passa e nada resta. Nada fica.
Mas eu nem na palavra caibo.
Eu simplesmente não sou. Não serei! Nunca!
Nem aqui. Nem fora daqui onde sou... o normal...
Normal é ser cinzento
Que se mistura no resto,
Que faz parte dele, está nele
E, quase sempre,
É ele.

segunda-feira, novembro 03, 2003

Complot

Tristeza visceral!
Capacidade neuronal
Que se dilui
Na própria memória daquilo que cria.
Questão permanente se devia ou não devia...
E, entretanto, o mistério se destrói.
Por força do mal,
Provocada por aquela coisa visceral.

terça-feira, outubro 28, 2003

Tudo Saber

Não sei, quanta coisa eu não sei
Que reflicto, olho, desisto, enfim.
Vergonha, culpa, ira em mim
Quando tudo perdi, porque a alma não dei

O verdadeiro 'desconhecido'

Ignorância feliz que me manténs
De mim não sabes o que eu não sei
Vives daquilo que eu não te dei
E eu vivo em ti, porque mais nada sei

A minha 1ª reminiscência

Sentei-me. Sorri.
Feliz, porque o resto do mundo
Não existia!
Não importava para mim.

Sabia que fazia o que não devia.
Só não sabia que o sabia.
Vasculhava o que hoje são memórias.
Procuro… Já não sei o quê
Acho que nunca o soube.

Inocente pensava se um dia
Me lembraria daquele momento.
Tantas vezes repeti esse pensamento…
Só este ficou.

sexta-feira, outubro 24, 2003

Insaciadade Inquietante e Permanente

Num breve momento de clarividência
Percebo que a culpa é só minha
O meu passado... O presente que já não o é.

"Não sou eu nem o outro..."
Pois não. Porque eu era o outro
Mas o outro já não sou eu.

Sou o ser novo.
O que não se conhece.
O desassossegado que se procura.

Infeliz. Triste. Saudosista.
A minha única certeza és tu!
Ainda que não sejas mais a outra...

Aquela que o outro conheceu.
Não eu...
Mas os restos do que de mim ficou.

quarta-feira, outubro 22, 2003

Dor Fiel

Eu tenho uma dor
Nascida em mim, formada em mim
Que ninguém me pode tirar

Causa-me um sofrimento que é só meu
E a ninguém tenho que prestar contas.
É dor! Sim é dor. Em mim.
Mas esta dor é liberdade! É a liberdade de te amar

O Meu Anjo da Morte Chegou e Levou-me

Aqui jaz o poema
Enquanto forma de enunciação
Aqui jaz a ternura
Que existia no meu coração

Consumismo Que Me Consome

Conto as linhas que escrevo
Conto os cigarros que fumo
Números... Metáforas que não me dão rumo
Não me mostram o fumo. E linhas... Não as vejo

Muda-se o Estado Mudam-se as Maldades

Amor cuidado!
Que o mundo hoje está diferente
O ditador agora é o estado.

Raiva

A raiva,
Um espinho no olhar,
Rasga as paredes do meu ser.
Não ouve, não vê, não...
Não. NÃO! NÃO! NÃO! NÃAAAAAAAAAAAAAAÃO!!!!!

quinta-feira, outubro 16, 2003

Saber o Verdadeiro Saber e Enunciá-Lo Em Berros Mudos

Amar a dor dos olhos teus.
Pensar. Desesperar! Sentir que o enganado fui só eu...
Olhava-te a ti ou rejeitava a deus?
Duvida se o que eu via ele alguma vez escreveu.

Perfeição celestial: imaginário humano.
A igualdade não é potencial
É qualidade do insano.
Insano eu, ao ver(-te). O ideal metamorfosear-se... Imaterial.

E agora sei, mas o tempo já passou.
Arrisquei saber mas não pude aproveitar.
O conhecimento é de quem ousou...
Mas de quem cá não ficou para contar

Boiam Direitos Das Costas dos Sabões

Boiam sabões das costas de Marrocos
Em alegre pescaria levo com um na barriga.
Durante dias lavou-me o espírito. Abriu-me os olhos!
O resto da vida... Não sei que te diga.

Estes olhos ardem.
Esta fonte de toda a chuva ácida são lágrimas.
O que elas levam só elas sabem,
Mas ao evaporar... restam nestas páginas.

Escrever direito o que direito não existe.
Existe apenas o conceito;
Pois a realidade é bem mais triste;
Porque justiça e o direito não começa nem desiste.

Rio... Rio:)

Cego, ego...
É o amor que escrevo.
Licor de café com tequilha!!!
Uma bebedeira... e nado. Vou tranquilo.
Por um metro? Não! Uma milha!